quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

35 ANOS

35 ANOS A VER E A PRODUZIR ARTE

Em Dezembro de 2017 completam-se 35 anos sobre a minha primeira exposição. Ao longo destes anos percorri um longo caminho com avanços e recuos, com inflexões e saltos de percurso, pausas e retomas, um caminho “branco” de curvas e contra curvas, as quais fui galgando na distância.
Este caminho afigura-se-me por etapas e personagens. Personagens que percorreram uma estrada própria, às quais denominei “fases” e que no longo caminho que percorri conto já 24. Na generalidade, cada fase comporta uma forma muito peculiar de expressão, indo do desenho “tout-court” à vídeo arte. Cada “fase” um discurso, uma preocupação, que se renova / completa em cada nova re-invenção. Se quiser caracterizar toda a minha obra numa só palavra ou frase, essa seria “redenção”. A redenção pressupõe a salvação espiritual do pecador, daquele que não segue os trâmites espirituais, mas que, por meio do arrependimento e da abnegação, consegue retomar o caminho da salvação espiritual.
Esta palavra caracteriza o meu percurso no sentido do retomar o caminho espiritual que a vida mundana tende a ofuscar ou distrair. Através da redenção pela Arte, retomo constantemente esse caminho que a vida tende a cruzar.
É neste sentido que, de quando em vez, sou “obrigado” a parar, a reflectir, a pensar demoradamente no caminho que percorri e que quero percorrer.Assim o meu percurso é acompanhado de momentos de grande furor criativo – esse momento pode não ser bom, pode ser – e por vezes é – a busca desesperada do retomar do caminho certo -, e de momentos de grande inércia, mas é uma inércia reflectiva, onde o pensamento busca a ponte certa para a outra margem, para poder seguir o caminho. Mas para onde me leva este longo caminho que persiste em não me mostrar o fim da estrada?
Quando olhamos para trás, e vemos essa longa estrada que deixamos para trás, queremos efectivamente olhar para a frente, interrogar o fim distante que ainda não antevemos.
A estrada. O caminho. O momento. O presente. O presente veste-se de passado para encararmos o futuro. 
José Veira

35 YEARS SEEING AND PRODUCING ART

In December 2017, 35 years of my first exhibition will be completed. Throughout these years I have come a long way with advances and retreats, with inflections and jumps of course, pauses and retakes, a “white” way of curves and against curves, which I was climbing in the distance.
This way seems to me by stages and characters. Characters that have crossed a road of their own, which I have called “phases” and which in the long way that I have gone through, I have already seen 24. In general, each phase has a very peculiar form of expression, going from the “tout-court” drawing to video art. Each “phase” is a discourse, a concern, which is renewed / completed in each new re-invention. If you want to characterize my whole work in one word or phrase, that would be “redemption.” Redemption presupposes the spiri- tual salvation of the sinner, one who does not follow the spiritual procedures, but who, through repentance and self-denial, is able to return to the path of spiritual salvation.
This word characterizes my journey in the sense of resuming the spiritual path that the mundane life tends to obscure or distract. Through redemption through Art, I constantly return to this path that life tends to cross.
It is in this sense that, from time to time, I am “obliged” to stop, to reflect, to think long and hard on the road I have traveled and that I want to go through. Thus my journey is accompanied by moments of great creative fury - this moment may not be good, it may be - and sometimes it is - the desperate search for the return of the right path - and moments of great inertia, but it is a reflexive inertia ,Where the thought searches for the right bridge to the other margin, to be able to follow the way.
But where does this long road take me that persists in not show- ing me the end of the road?
When we look back and see this long road that we leave behind, we really want to look forward to questioning the distant end that we have not yet anticipated.
The road.The way.The moment.The gift.The present dresses of the past to face the future.

José Veira


Convergências (Madrid) 2005

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